O Gerente de T.I. e suas amplas responsabilidades além da Área Técnica

Artigo de FRED W BRAGA de 20 de junho de 2017 – https://www.profissionaisti.com.b

Situação real, vivida em uma indústria do Rio de Janeiro: O ramal interno do responsável pela controladoria da empresa toca. É o contador externo da companhia.

“Claudio, é o seguinte, a partir de agora toda venda da empresa para Pessoa Física tem que ter o CST 000 em vez do 020 na Nota Fiscal”.
E é isso. Claudio passa um e-mail para o Gerente de T.I.:

“Marcelo, segundo orientações do contador, a partir de agora o CST para Pessoas Físicas deve ser sempre 000″.
OK. O Gerente de T.I. passa e-mail para o programador:

“Marcio, colocar CST 000 para todas as vendas para Pessoa Física nas notas emitidas pela empresa”.
O Gerente de T.I. recebe o retorno do programador, coloca em ambiente de testes e emite várias notas sem valor fiscal, pra ver se realmente está funcionando. Está! Ótimo, trabalho feito. Podemos colocar em produção. E assim foi feito. Três anos se passaram, com toda venda para Pessoa Física saindo com o CST 000. Tecnicamente, está tudo certo.

Mas e o grande problema, onde está?

Uma pergunta avançada. Pra vocês que já viram o erro: Quem é o responsável por ele?

Calma, vou responder as duas… Em primeiro lugar, qual o real papel de um Gerente de T.I? Por que ele não senta e programa em vez de ter um programador? Isso é óbvio: porque suas atribuições vão muito além disso, certo? Mas quais atribuições são essas?

Acho bem confuso definir claramente as responsabilidades de um Gerente de T.I. Mas a verdade é que, hoje, essa pessoa tem que entender de todos os processos na empresa e, principalmente, prever o impacto real de tudo o que é modificado num sistema. A parte técnica é apenas um detalhe, perto da grande responsabilidade deste cargo. Com a ânsia de tentar agradar e de não perder seus empregos, vejo inúmeras dessas pessoas cometendo erros indesculpáveis, que prejudicam a produtividade das empresas onde atuam, trazem prejuízos financeiros descabidos e, em alguns casos, vão diretamente de encontro à lei.

Vamos entender o exemplo acima antes de continuar. Primeiro, vamos assumir que, se alguém te pede pra modificar um CST (ou qualquer outra coisa), antes de mais nada você tem que saber o que é CST. CST, muitos aqui já sabem, é o Código de Situação Tributária, o que significa que esse código vai definir como seu produto é tributado. Se o CST vai deixar de ser 020 e passar a ser 000, isso quer dizer que ele vai deixar de ser “Com Redução de Base de Cálculo – 020″ e passar a ser “Tributado Integralmente – 000″. Na empresa em questão, isso quer dizer que o produto, quando vendido para Pessoa Física, deixa ter a cobrança de 7% de ICMS e passa a ter a cobrança de 20% de ICMS!!!

Ah, mas se o contador falou, tem que fazer! Não concordo e não é assim que as coisas funcionam. Ao assumir o cargo de Gerente de T.I., o indivíduo passa a ter responsabilidades muito além da área técnica. Muito além… Ou seja, a área técnica também faz parte. Mas não é o todo. Se assim fosse, bastava o funcionário falar com o programador. Não precisava de um Gerente no meio. Ao receber uma solicitação desse tipo, o Gerente de T.I. deve, antes de mais nada, entender o que está sendo solicitado e, principalmente, entender o impacto que isto vai causar na empresa em que trabalha. Após entender com detalhe os impactos, deve se reunir com as áreas responsáveis, discutir e informar o que muda e, somente aí, tomar as decisões de alterações no sistema. No exemplo dado, temos várias observações:

Entender o que é o CST;
Entender o que a mudança do CST causa no custo do produto;
Verificar todas as subconsequências disso, tais como avisos no rodapé das notas, mudanças em tag´s dos XML´s, geração de contas a pagar de impostos, alterações em cadastros;
Discutir o impacto disso com os setores que serão afetados. Nesse caso, obviamente não se pode vender para Pessoa Física com o mesmo preço que se vende para Pessoa Jurídica e o setor comercial deve discutir isso seriamente.
Principalmente e, acima de tudo, verificar se a informação procede. No caso exemplificado não procedia. Ao analisar o decreto, vimos que o contador passou a informação errada. Tratava-se de outro tipo de produto. Além disso, pra poder usar o CST correto (020), precisava que os clientes Pessoas Físicas estivessem com o TAG de “Não-Contribuinte” nos XML´s, o que implica em mudança nos cadastros do sistema. Chegamos à conclusão que a empresa pagou cerca de 500 mil reais a mais de imposto em um ano… Indevidamente! Um milhão e meio em 3 anos….. Tudo porque o Gerente de T.I. simplesmente acatou uma decisão estratégica como se fosse uma simples decisão técnica.
A internet está aí pra isso. Se especializar não significa simplesmente renovar seu PMP ou participar de um congresso sobre inovações tecnológicas. Tem que colocar a mão na massa – entender de contabilidade, produção, vendas, juros, bancos, duplicatas, materiais… O que for necessário para que suas decisões sempre tragam frutos para a empresa onde você trabalha. Tem que ler o decreto, tem que entender a lei específica, tem que tirar dúvidas em fóruns de discussão, tem que perguntar pra quem está pedindo alguma alteração a explicação pra isso, tem que pesquisar a fundo todo e qualquer assunto com o qual você bata de frente no seu dia a dia.

Não é fácil, eu sei. Mas nunca é. Se estiver fácil, com certeza tem algo errado.

O cargo de gerência de T.I. vai muito além de cuidar do funcionamento das máquinas e do sistema. Cada decisão, seja uma simples alteração de um relatório, pode desencadear uma série de problemas para a organização e impacta diretamente em inúmeros outros “subprodutos” das alterações realizadas.

Além de incontáveis prejuízos ou ganhos financeiros: qual dos dois vai ser é o que define se você está ou não cumprindo seu papel adequadamente!

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